quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Desmame de irmão!

Rafa precisa passar pelo desmame. Não, meu caçula não mama mais no peito faz tempo. Seu desmame do leite materno foi fácil e tranquilo, como deve ser. É de outro desmame que me refiro aqui. Rafa precisa "desmamar" do irmão. E esse desmame não será tão fácil assim... 

Desde sempre Rafael é grudado no Matheus. Mat é seu grande ídolo. E Rafa demonstra isso o tempo todo. É nítido como ele admira seu irmão mais velho. Quando Mat ganha uma medalha ou vence em um campeonato, Rafa fala todo orgulhoso para quem está em volta sobre a conquista do irmão. Quando um amigo do Rafa se refere ao Matheus, o pequeno sai logo falando: "É meu irmão! Mat é meu irmão!", todo orgulhoso de peito estufado. 

Quase todos os dias os dois se encontram em algum "canto" da escola. Em geral, quando a turminha do Rafa está no parque, a turma do Mat passa por ali para ir ao lanche. E nessa hora, quase sempre, o encontro é inevitável. Rafa chega em casa contando: "Eu vi o Mat hoje e dei um abraço nele!". E, o Mat completa: "Mãe, o Rafa me dá um abraço tão gostoso, que agora alguns amiguinhos dele também correm para me abraçar. É um barato! Quase me derrubam!". Mas Rafa não tem ciúme dos amigos. Ele diz que "divide" o irmão, afinal, irmão é só ele!

Quando os dois vão cortar o cabelo é a mesma coisa. Sabendo da paixão do pequeno pelo mais velho, o cabeleireiro provoca, já sabendo a resposta, que é sempre a mesma. "Rafa, como é para cortar seu cabelo hoje?". E, Rafa, sem titubear diz: "Igual o do Mat!".  A cena se repete todos os meses e sempre termina em gargalhada, inclusive do Rafa! 

É claro que, como mãe, fico imensamente feliz em sentir o amor de um pelo outro. É claro que desejo que esse amor permaneça para sempre. Mas e quando esse grude todo começa a atrapalhar? Pois bem, aí que mora o problema! E hoje pela manhã passamos por isso... 

Rafa "leva" o irmão para a natação desde os tempos de "barriga". Sempre ficou comigo na recepção, na sala de espera, olhando o Mat pelo vidro. Ano passado, há exatamente um ano, Rafa "virou" um aluno também. Cada um na sua raia. Cada um na sua touca, com seu professor. Mas não é de hoje que o Matheus pede para dar uma pausa na natação. Está cansado, quer fazer outro esporte, nada direto há mais de cinco anos e pediu uma trégua. Depois de muito insistir, resolvemos respeitar a sua vontade e hoje, exatamente hoje, foi a primeira aula do Rafa sem o Mat na piscina. Ele sabia. Estamos "anunciando" essa novidade há algum tempo. E ele já tinha reclamado. Chegou a falar que queria parar também, mas explicamos a ele os motivos pelos quais ele não pode parar ainda: ainda não sabe nadar, não se "vira" sozinho na água, natação é um esporte muito importante e blá blá blá. E fomos tocando o barco. 

Hoje pela manhã quando Rafa se tocou que estava de sunga e roupão e o irmão estava de calça e camiseta começou o chororô. "Não vou pra natação! Também quero parar! Quero fazer escolinha de futebol junto com o Mat!". O choro foi tão sentido, que larguei tudo, peguei ele no colo e tentei uma conversa. Em vão. Ele saiu do meu colo e se fechou no quarto. Mat foi lá, a meu pedido, e tentou falar com ele. Em vão também. Rafa estava inconformado. Minutos depois aceitou conversar. Expliquei que o irmão estaria ao meu lado, do mesmo jeito que ele ficava antes, quando só o Matheus nadava. Que sua aula seria exatamente a mesma, o mesmo professor, os mesmos amiguinhos, as mesmas brincadeiras de antes. Que nada, absolutamente nada, mudaria. Com os olhos cheios de lágrimas ele disse: "Mas o Mat não vai estar mais lá do meu lado!". Aí minha ficha caiu. Rafa sempre teve um medinho de água, que hoje foi superado. Mas quem deu essa grande força pra ele criar coragem e entrar na piscina desde o primeiro dia, mesmo sem saber ou perceber essa responsabilidade, foi o Mat, que estava bem ali, ao seu lado. 

Mat é muito mais que um irmão para o Rafa. Mat é seu porto-seguro. Mat dá confiança e segurança pro Rafa. Foi assim na natação. Foi assim na escola. É assim quando estão brincando no prédio com outras crianças. E isso é tão natural e tão leve que nenhum deles percebe esse "peso". Mat, em momento algum, carrega o peso da responsabilidade de ter que levar, fazer ou carregar o irmão nas costas. Nunca cobramos isso e ele mesmo não "pega" essa responsabilidade pra si. Mat é uma criança como outra qualquer. Que brinca muito e não deixa de fazer nada por causa do irmão. E Rafa também não deixa de conviver e curtir outras crianças para ficar o tempo todo grudado no irmão mais velho. Mas hoje tive a certeza do quanto a presença física do Mat por perto é importante para a segurança do Rafa! Ele quer ter o irmão, sempre que possível, no seu campo de visão. É como se o Mat fosse a dose extra de segurança que Rafa necessita num momento de insegurança. 

Rafa precisa desmamar do irmão. E como quase todo desmame vai ser difícil no começo. Mas, diferente do desmame do peito, que ele pôde decidir o momento certo de parar, agora chegou a hora dele se separar um pouquinho do irmão. Bem pouco, afinal Mat estará atrás do vidro, como hoje, comemorando cada vitória do Rafa. Hoje ouvi do Mat "Nossa, Rafa está fazendo submarino. Eu não tinha visto ainda!". E, quando os dois se encontraram no vestiário, ele disse: "Parabéns, Rafa! Seu submarino está lindo!". E, Rafa, com um sorrisão no rosto, todo orgulhoso disse: "Obigado, Mat", assim mesmo, sem o "r". 


A última aula do Mat na natação, na semana passada: os
irmãos juntinhos no final da aula! 



Rafa na piscina hoje pela manhã:
primeiro dia sem dividir
a piscina com o irmão!






ESPELHO: Enxerguei minha mãe em mim!

Texto meu publicado originalmente na coluna NO QUINTAL, do VILA MAMÍFERA. O link do artigo no Vila está aqui: http://vilamamifera.com/noquintal/por-adriana-ramos/


É impressionante como mudamos depois que nos tornamos mães. E esse assunto tem martelado na minha cabeça nos últimos dias. Essa semana especialmente vi minha mãe dentro de mim em vários momentos. E a vi com todos os seus defeitos, qualidades, inseguranças e certezas. Vi aquela mãe, que muitas vezes, tinha atitudes que eu descordava, que eu não aceitava, que eu muitas vezes não compreendia. 

Lembro-me muito bem que todas as vezes em que eu fazia algo que a desagradava, ela falava muito. Repetia, gritava, dava muita bronca, falava alto. Nada de agressão física. Nunca apanhei da minha velhinha. Mas a danada falava demais. Chegava a irritar. Quantas vezes eu já não lembrava mais do que tinha feito, mas lá estava ela falando, falando, falando. E ai de mim se caia na tentação de pedir para ela parar ou se dizia algo como “Tá bom. Já entendi”. Ela rapidamente retrucava com um “Não me manda ficar quieta! Eu falo o quanto quiser!”. E o blá blá blá começava novamente. 

Essa semana Rafa, meu caçula de 4 anos, me tirou do sério. Por um motivo bobo, um desentendimento dele com o irmão por uma bobagem precisei intermediá-los por que a “coisa” estava ficando séria demais. Eles estavam na sala, eu no quarto trabalhando. Pedi de longe para os dois pararem. Não deram bola. Minha mãe, que estava em casa naquele momento, tentou apaziguar, mas não resolveu. Ameacei ir pra sala. Continuaram. Fui. Mas fui num momento em que faltava uma gota pro copo transbordar. Cheguei irritada. Cuspindo fogo. Matheus, o mais velho de 8 anos, que conhece muito bem o limite da mãe, parou na hora. Mas Rafa não. Ele é insistente e não tem noção do perigo. Continuou debochando do irmão e começou a repetir o que eu falava com desdém. Peguei ele pelo braço, o coloquei num banco pra pensar e continuei falando, falando, falando como minha mãe, no passado. Chegou uma hora em que ele disse “blá blá blá”. Fiquei furiosa. Como assim, aquele pirralho de 4 anos está reclamando que eu estou falando demais? Falei mais ainda. Exatamente como minha mãe fazia e eu detestava. 

De repente, olhei pro Rafa e enxerguei uma menina gorduchinha, com duas trancinhas e que usava botas ortopédicas nos anos 80. Olhei no espelho e vi a dona Ivone, minha mãe, mais jovem, de algumas décadas atrás, inconformada com tudo o que estava acontecendo. “Mal criado. Respondão! O que você está pensando da vida?”, eu falava. Igualzinho ela fazia! 

A história minha com o Rafa terminou com chororô dele. Acabei o repreendendo pelas suas atitudes e, quando a ficha dele caiu, ele ficou mal e se desculpou pelo que tinha feito. Mas a história pra mim não terminou até agora. Essa explosão de sentimentos e agitação fez com que eu pensasse e repensasse a minha vida, a maternidade, o que quero e acredito para os meus filhos. Antes de ser mãe jurava pra mim mesma que seria completamente diferente dos meus pais. Reconhecia, claro, suas qualidades e suas boas intenções. Mas gostaria de ser mais paciente do que meu pai (ele era tolerância zero!). Queria saber escutar mais e julgar menos. A dar “bola” para os sentimentos dos meus filhos sem desprezá-los julgando ser uma bobagem qualquer, mesmo que pra mim aquilo pudesse ser uma bobagem de criança. Queria ter mais tempo para curti-los de verdade e de fato sem ter que empurrar com a barriga a maternidade no meio das zilhões de tarefas do dia a dia. Queria ser mais paciente. Menos explosiva. Mais cautelosa com as palavras. Menos irritadiça. Queria saber separar mais as situações e jamais descontar um descontentamento ou um problema pontual em quem não tem nada a ver com isso.

E não estou falando em culpa. Nesse caso, não rola culpa. Só uma constatação: o espelho que tive na infância reflete hoje nos meus atos. Não é sempre. Não é o tempo todo. Mas as vezes a mãe que eu tive, se mistura com a mãe que eu sou. E o Rafa? Ah, o Rafa é o meu espelho de infância, é o meu espelho de hoje… Enxergo minhas atitudes no meu pequeno diariamente. Se sou doce, ele é. Se sou brusca, ele é. Mas de tudo isso a lição: Rafa, sem sequer imaginar, consegue, em suas birras, mostrar quem fui, quem sou e quem quero ser.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

FILHOS - Ganhando asas!

Ele foi logo ali realizar sonho e volta já. Mas todas as vezes que ele vai o coração "de mãe" fica apertadinho. Falamos tanto em MATURIDADE, INDEPENDÊNCIA, CRESCIMENTO, mas quando chega a hora de soltar não é tão simples assim. Hoje é dia que ele fica longe o dia todo. Longe do pai, da mãe, da professora, dos amigos do dia a dia. Lá, é ele e ele. E como ele se comporta? O que vai fazer? O que vai comer? Só Deus e ele sabe! Aí é quando a gente entrega nas mãos do Pai e confia em tudo o que ensinou no dia a dia. E, com o coração apertado, torce para que ele tenha absorvido o que você ensinou. E confia! Porque no fundo você sabe o quão importante são esses momentos para a MATURIDADE, a INDEPENDÊNCIA, o CRESCIMENTO dele! Esses torneios de xadrez vão muito além do jogo em si. É o momento, claro, de aprender a lidar com vitórias e derrotas. Mas também do meu "passarinho" voar pra fora do ninho. E, voltar, claro, feliz pra casa com muitas histórias na bagagem! Vai Mat! Vai com tudo. Estamos te esperando de braços abertos! 

Mat a caminho da final de xadrez!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

FUTEBOL X MATEMÁTICA

Cheguei a uma conclusão. Mera conclusão de mãe, que fique bem claro. Futebol e Matemática tem tudo a ver. A conclusão parte do óbvio: as camisas possuem números, existe um número "x" de jogadores em campo, os gols se transformam em números e a somatória desses gols em pontos ao longo do campeonato. Mas a matemática vai muito além do óbvio. E isso pude constatar na prática aqui em casa. Não é de hoje que o Matheus curte futebol. Mas acho que a sua paixão pela redonda em campo aumentou ainda mais durante a Copa do Mundo aqui no Brasil. Também não é de hoje que Matheus gosta de matemática e demonstra mais interesse pelos números do que pelas letras. E observando meu grandão mais atentamente pude perceber o quanto o FUTEBOL contribui para o seu aprendizado em MATEMÁTICA. Pois é... e explico porque. 

Matheus guarda o seu álbum de figurinhas da Copa como um verdadeiro tesouro. E, vez ou outra, lá está ele folheando o álbum. Dia desses percebi que tinha umas folhas de papel dentro do álbum. Perguntei o que era e ele mostrou todo orgulhoso. Ele queria saber quais eram os jogadores mais jovens da Copa, separado por seleções/países. E fez uma lista enorme com os nomes de todos os jogadores e seus anos de nascimento. Sim. Tudo manuscrito! Sem preguiça alguma! Coisa de louco mesmo! E em seguida? Começou a fazer as contas para saber qual a idade dos jogadores. Pois é. Aí ele percebeu que não sabia ainda fazer contas de subtração "emprestando" números. E pediu para ensinarmos. Vez ou outra nos procurava para tirar dúvidas. Teve erros e acertos. Em um determinado momento fez o seguinte questionamento: "Por que quem nasceu em 1980 tem 34 anos e quem nasceu em 1981, que é um número maior, tem 33, que é um número menor?". Dúvida boba para quem já sabe, mas que fez o moleque pensar e ter uma nova descoberta. 

Aí me toquei (o que também não é nenhuma novidade, mas as vezes esquecemos), que não é preciso estudar pra prova de matemática só com a apostila nas mãos. Estudamos matemática falando em futebol e o Mat sequer percebeu que aquele momento de diversão para ele era também de muito aprendizado. 

Confesso que na hora que vi aquelas listas enormes com nomes e datas, pensei "Meu Deus, por que ele está perdendo tempo com isso?". Mas me contive diante da alegria e empolgação com que ele mostrava suas anotações. E hoje penso: "Que bom que eu não o desmotivei!". Afinal, essa brincadeira, que a principio parecia boba, tem sido também rica em aprendizado. 

Disso tudo, ficou pra mim uma lição: Muitas vezes a gente ignora um ato, um gesto, um comentário de uma criança achando aquilo uma grande bobagem. Mas por trás dela pode ter algo muito maior, que foge aos olhos dos adultos, mas que só um olhar de criança pode captar. Fica a dica! 


Foto: Gustavo Duarte (meramente ilustrativa extraída da internet)





domingo, 23 de novembro de 2014

BIRTHDAY DA MAMIS!

E, assim, grudadinhos, comemoramos a chegada dos meus 3.7 com muito amor e companheirismo! 

E à Deus eu só peço SAÚDE pra continuar o meu caminho. E agradeço muito por tudo o que já tenho! 

E viva a VIDA! 


Quarteto Fantástico! 

domingo, 16 de novembro de 2014

LEONARDO DA VINCI - Genial! A exposição e o homenageado!

O quarteto reunido! 
Essa semana inaugurou em São Paulo a exposição "Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção", no Centro Cultural Fiesp. E, embora a mostra fique na cidade até maio de 2015, a curiosidade foi tanta, que lá fomos nós nesse domingo ver de pertinho o que nos esperava. E valeu a pena. A exposição está lindíssima, é interativa (um ponto positivo pra quem vai com crianças, como eu!) e, conhecer um pouco mais sobre esse gênio da história valeu muito a pena. Só pra se ter uma ideia de quão legal foi o passeio, a frase do Matheus, na saída da exposição resume essa sensação: "Nossa! Leonardo da Vinci era genial". E, Rafa, completou: "Mãe, vamos voltar outro dia?". Acho que pela avaliação infantil a uma mostra que não é destinada exclusivamente a esse público dá pra perceber o quão interessante ela é, não? 

Os meninos, em especial o Mat, de 8 anos, ficaram admirados em saber que Da Vinci tinha tantas aptidões. Mat, por exemplo, "o conhecia" pelo trabalho como pintor e o criador de Mona Lisa. E já o admirava por isso. Em outro post citei seu comentário sobre o "olhar misterioso" de Mona Lisa clique aqui pra ver/rever. Mas não sabia, por exemplo, que ele era considerado também matemático, engenheiro, inventor, cientista, arquiteto, poeta e até músico! 

Enfim, quem estiver por São Paulo e tiver a oportunidade de conferir pessoalmente, vale muto a pena. 






CRIANÇADA À TIRA COLO 

Mas, afinal, como é ir à uma exposição com duas crianças à tira colo? Eu respondo: tranquilo! Pelo menos a minha experiência pessoal com duas crianças - de 8 e 4 anos - é muito relax. 

Hoje, por exemplo, chegamos na Av. Paulista e tivemos que encarar uma fila considerável. A previsão inicial indicada por um segurança do prédio era de aproximadamente 2 horas. Confesso que não sei se ficamos mais ou menos tempo que isso. O tempo fluiu tão bem, que não ficamos presos ao relógio. 

E como foi passar esse tempo com eles? Eu digo: vez ou outra eu e o maridão nos revezávamos para dar uma voltinha com eles. Beber uma água, fazer um xixi, espiar alguma movimentação de pessoas, comer uma pipoquinha. Até que nosso lugar da fila parou bem na frente de uma dupla de artistas de rua. Pronto! Podíamos ficar ali por horas! Os "danados" eram tão bons, que vi Rafinha dançar ao som de sua música, vi Mat  batendo palmas e todos nós dando muita risada. 

Confesso sem nenhuma intenção de exagerar: não vimos o tempo passar. Não foi um sacrifício enfrentar a fila, não foi um passeio chato e entediante. Os meninos curtiram. Quando estavam cansados sentavam ali, na fila mesmo, mas curtiram muito todo o passeio, do início ao fim. 


Sabe o que acho? Que as vezes somos nós, adultos, que enxergamos problemas onde não tem. Claro que não ficaria com eles em uma fila de cinco horas, mas até aí, acho que nem eu mesma sozinha ficaria. Percebo que os meninos curtem esses passeios e conseguem aproveitar cada momento, cada novidade, que surge na sua frente. 

É o olhar da criança para o novo. Jeito de criança para encarar a vida.  Coisas de criança... e aprendemos muito com eles! 








Exposição "Leonardo da Vinci - A Natureza da Invenção" - Centro Cultural Fiesp - Galeria de Arte Sesi-SP - Av. Paulista, 1313. Informações: sesisp.org.br/cultura. Até 10 de maio de 2015.  

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

COMPORTAMENTO - A autonomia de nossos filhos depende de nós!

Essa semana circulou nas redes sociais um quadro, uma espécie de tabela cujo título já anunciava sua intenção: "Seu filho pode ajudar em casa!". Dividida em cinco colunas, separadas por faixas etárias, é possível saber o que uma criança consegue fazer e, dessa forma, contribuir nos afazeres domésticos do dia a dia. 

À princípio parece bobo, mas a quantidade de amigas, que compartilharam o tal link e até enviaram via mensagem privada, me chamou a atenção. Eu mesma fui uma delas. No primeiro momento corri para as colunas que indicavam as idades dos meus meninos. Vi, entre as indicações, o que eles já fazem em casa com naturalidade e o que eu ainda nem sonhei que eles pudessem fazer. E pensei: "Nossa, eles conseguem fazer isso?". E a ideia ficou martelando na minha cabeça. 

Arrumar a cama, por exemplo, é uma delas. Eu arrumo as camas dos dois todas as manhãs. E por que nunca pensei que o Matheus, de 8 anos, poderia arrumá-la? Porque simplesmente é mais fácil e rápido eu mesma tomar a frente da situação. E aí veio a constatação! Quantas coisas privamos nossos filhos no dia a dia só porque queremos nos livrar do trabalhão de ensinar, só por que não temos muitas vezes paciência para esperar, só porque estamos sempre (ou quase sempre) atrasados para algum compromisso, só porque é mais fácil a gente fazer. Comodismo? Pode ser que essa seja sim a melhor definição. Nem sempre, claro, mas muitas vezes. 

Lembro que com menos de 2 anos Rafa queria comer sozinho. Aos 3 queria se limpar no banheiro quando fazia número 2. Aos 4 pediu para comer de garfo e faca (sob nossa supervisão, é claro). E eu não queria. E por que? Porque achava que ele não tinha maturidade pra isso. Porque faria muita bagunça. Porque daria um trabalhão. Por sorte comentei isso com a professora dele e, por sorte, ela me deu uma sacudida. "Não negue ensinamentos à ele. Se ele pede é porque tem maturidade pra isso. Porque quer aprender. Fique junto. Ensine. Tenha paciência! Se ele não estiver maduro ainda, vai desistir nesse momento. Mas se pede já um bom sinal de que está preparado", ela disse um dia em uma conversa rápida na calçada do colégio. Bingo! PACIÊNCIA! Era isso. A chave de tudo. E confesso: com paciência ele aprendeu tudo isso. Aliás, não só ele... eu aprendi que com paciência tudo fica mais fácil. Pena que ela não está o tempo todo ao meu lado... a paciência! 

Com Matheus não foi diferente. Mais preguiçoso do que o irmão e com menos pressa, Mat também teve seus momentos de "chegou a hora". Quando decidiu que queria aprender a amarrar os cadarços do tênis foi como um furacão. Não contente com o jeito que estávamos ensinando pediu, sozinho, ajuda pra sua fono na época, que prontamente se dispôs a ajudá-lo. Pronto. Aprendeu. Assim foi também quando decidiu que queria tirar as rodinhas da bicicleta. "Pode tirar. Estou preparado", ele disse aos 6 anos. Confiamos nele e na sua segurança. E, depois de um ou outro desequilíbrio, lá estava ele pedalando pelo condomínio sem mais precisar das rodinhas auxiliares. Mas antes de concordarmos bateu sim uma preguicinha básica e veio sim aqueles pensamentos do tipo "Nossa, vamos ter que ficar pra lá e pra cá equilibrando ele na bike!"

O fato é que precisamos sim preparar nossos filhos para a independência. Homem e mulher que "se vira" desde cedo certamente sofrerá menos no futuro. Tirará de letra coisas simples do dia a dia. Certamente alguém dirá: "Mas tudo tem sua hora. Não precisa se apressar! Um dia eles aprendem!". Realmente, a ideia não é antecipar etapas, perder infância, nada disso. É preparar nossos filhos para o futuro, torná-los cidadãos educados e participativos. É ensiná-los a ter AUTONOMIA! Torná-los maduros, seguros e que não sejam dependentes de nada e de ninguém, mas sim parceiros. Além, é claro, de entender que ajudar, contribuir, dividir tarefas faz bem para todos. Lembro quando ensinei o Matheus, ainda pequeno, a dobrar seu pijama e a guardar na gaveta. Para ele, na época, parecia o fim do mundo. Hoje, faz isso com a mesma naturalidade com que escova os dentes e coloca seu aparelho ortodôntico antes de dormir. Simples assim. 

Abaixo o tal quadro que inspirou esse post: 



Fonte do quadro: Associação para a Igualdade e Direitos dos Filhos