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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

SAUDADE de quando eles cabiam nos meus braços!

É comum a mãe de filhos pequenos reclamar da rotina cansativa, muitas vezes exaustiva, de cuidados com o bebê. O amor é sim incondicional, mas o cansaço as vezes pesa. 
Quem nunca ouviu alguém dizer "Não vejo a hora que eles cresçam!"? E muitas vezes nós pensamos assim mesmo... 
Mas aí eles crescem e o que você mais queria era poder ter aquele "pacotinho" nos braços novamente. 
Então curta. Curta cada choro, cada birra, cada mamada no meio da madrugada, cada "arte", cada fase do seu filho. Porque a única certeza que temos é que eles crescem. E, como mãe de dois garanto, eles crescem rápido demais. 
Todas as vezes que leio este texto da Paula Jácome eu choro. Tive o privilégio de acompanhar o crescimento dos meus dois filhos bem de pertinho. Estive sempre presente em todos os momentos das vidinhas deles. E mesmo hoje, tendo orgulho dos meninos "grandes" que se tornaram, sinto uma saudade imensa do tempo que cabiam nos meus braços. 
O tempo é cruel. A vida passa num estalo. Então antes de pedir aos céus para essa fase passar mais rápido, tente tirar um tiquinho de aprendizado de cada momento. 
Sim, choro cansa, irrita. Mas até disso a gente sente um pouquinho de falta depois, viu... rs

Eu e os amores da minha vida! <3 nbsp="" td="">


Segue o lindo texto para você se emocionar também: 

"Aproveite o amor de pertinho... Um dia, assim, do nada, ela vai parar de te chamar para dar o beijo de boa noite e colocar a coberta antes de dormir. 

Um dia assim... Do nada, ela vai trancar a porta do banheiro para tomar banho, vai estudar sozinha para a prova, vai receber a ligação de um amigo... 
Vai ligar o microondas e esquentar o próprio leite de manhã. Um dia, ela vai fazer um bolo para você e a própria panqueca. E vai compreender, sem chorar ou reclamar, que não precisa de outra mochila para começar o ano escolar. 
Ela vai parar de deixar todos os brinquedos espalhados pela casa... Porque não vai mais brincar tanto. 
Um dia, sem avisar, ela vai crescer. E você vai se orgulhar de quem ela é agora. Da semente que plantou. Vai olhar e ver que tudo que fez compensou, valeu a pena. 
Mas até lá, aproveite o cansaço de ninar o seu bebê todos os dias, aproveite a falta de espaço na cama com seu filho no meio, aproveite enquanto cabe todo mundo na cama. 
A falta de tempo e energia pra namorar. Aproveite a desobediência, aproveite o barulho, o cheiro, o andar tropeçando em brinquedos. 
Aproveite o trabalho, a preocupação, a tarefinha da escola, o bilhetinho de dia das mães. 
Aproveite o amor de pertinho, enquanto eles são crianças... Um dia você vai lembrar que ela não te chamou pra dar o beijo na hora de dormir, e vai lembrar que ela só gostava de dormir no colinho, ou na sua cama... 
Seu coração vai apertar e você vai chorar... Eu chorei... Mesmo adorando tudo que ela é agora, amando tudo que ela faz e a relação que temos hoje. Mas ela não cabe mais no colo, só no coração mesmo... "


Texto: Paula Jacome

terça-feira, 24 de julho de 2018

VACINAÇÃO - Mãe e filhos

Aí você leva seus filhos ao posto de saúde para tomar a vacina contra o Sarampo e, não só descobre que eles não precisam tomar (pois já tomaram todas as doses), como também que você precisa tomar duas vacinas, que estão atrasadas. 

Conclusão: filhos livres e mãe com dois braços doloridos nessa tarde fria de São Paulo! 


Imagem ilustrativa


terça-feira, 12 de maio de 2015

DIA DAS MÃES - Ufa! Sou mãe!

Ufa! Sou mãe!  
E não foi de repente que me tornei mãe. 
Planejei. Desejei. Esperei. 
E mesmo assim, querendo tanto, descubro a maternidade a cada dia. A cada fase dos meus filhos. 
Ninguém disse que seria fácil. 
Assim como ninguém disse que teria uma receita pronta de como sair de cada saia justa da vida. 

Ufa! Sou mãe! 
E como é lindo depois de 9 meses pegar seu bebezinho nos braços e reconhecer um pouquinho de você naquele serzinho tão pequeno. 
E como é tenso, ainda na maternidade, imaginar que você terá que descobrir as razões de um choro sem que ouça com palavras o que aquela criaturinha realmente quer. . 
E, aqui vale um parênteses, como pode um bebê tão pequeno chorar tão alto quando quer alguma coisa!
E como é gratificante você descobrir que, de uma hora pra outra, se tornará uma fera em fazer bebês pararem de chorar e reconhecer se aquele choro é de fome, de sono, de dor ou porque está na hora de trocar as fraldas. 

Ufa! Sou mãe! 
E de uma hora pra outra me tornei a pessoa mais culpada do mundo. 
Porque tudo (ou quase tudo) é culpa da mãe. 
"Ele é assim porque ela mimou muito"
"Ele é manhoso porque ela só fica com ele no colo"
"Ele não come chuchu com repolho porque ela não insistiu quando ele era pequeno"
E em nenhum momento a possibilidade de que chuchu com repolho pode ser repugnante para outros paladares é levada em consideração... 

Ufa! Sou mãe! 
E com o passar do tempo descubro que não sou só a pessoa mais culpada, mas também a mais julgada do mundo. 
"Você tem que ser forte e mandá-lo para o berçário aos 4 meses, afinal a vida é assim"
E aí você resiste, porque tem uma segunda opção que não o berçário. Mais aí rapidamente surgem outras soluções. 
"Ele precisa conviver com outras crianças. Está na hora de ir para escola"
E você escuta isso de uma, duas, três, dezenas de pessoas. E não concorda, afinal seu filho tem apenas 1 aninho, não sabe falar, está aprendendo a dar os primeiros passos e, sim, tem convívio com outros bebês durante o solzinho da manhã no condomínio onde mora. 
Aí o tempo passa mais um pouco e você já se tornou um ET para a sociedade. Afinal, seu filhó já tem 2 anos e ainda não vai para escola. 
"Você vai se arrepender. Ele vai ficar atrasado em relação às outras crianças"

E eu, como um ET assumido, não consigo entender o que será esse "atraso" levando em conta que meu filho acabou de nascer. E, pior ainda, que raio de corrida é essa que ele precisa competir com outras crianças para chegar a algum lugar. Se ele tem apenas 2 anos... 

E enfim, chega a hora deles irem para a escola. A média aqui foi com 3 anos. Matheus um pouco mais cedo. Rafael um pouco depois. Agora sim as pessoas ficaram felizes. São seres inseridos na sociedade. Até então eram ogrinhos bichos do mato que viviam na selva. Praticamente excluídos do mundo e da vida. Uma aberração. Não. Não eram. Eram crianças livres, felizes, que brincavam muito, que mexiam em massinhas, que espalhavam brinquedos pela casa, que corriam pelo prédio atrás de outras crianças, que apenas ainda não iam para a escola. Só isso. 

Ufa! Sou mãe! 
E assim como outras mães quantas bobagens já escutei desde que me tornei mãe. 
São julgamentos infundados como se a maternidade fosse uma receita de bolo. 
É meio que um raciocínio tolo assim "Se meu filho foi pra escola porque eu precisava voltar a trabalhar, todos os outros devem ir para eu não me sentir culpada". 
É um sentimento que chega a ser autoritário de acreditar que o o seu exemplo é o certo e o que deve ser seguido. 
Ok. Acredito que exemplos devem ser compartilhados, afinal podem ajudar outras pessoas. Mas apenas compartilhado! É aquele velho ditado, o que foi bom pra mim, nem sempre será para você baby! 

Ufa! Sou mãe! 
E descobri que é possível sim um coração bater fora do seu próprio peito. 
Senti na pele os significados das palavras abdicação, doação, renúncia. 
Aprendi que uma conquista do filho vale tanto quanto (ou até mais) do que uma conquista pessoal. 
Que é possível passar uma noite em claro com um filho doente e se manter firme e forte durante o dia seguinte porque ele ainda precisa de cuidados. 
Descobri que é possível passar um longo período sem comprar tênis novos, porque todas as vezes que você cogitou essa possibilidade percebia que os pezinhos do seu filho tinham crescido e precisavam de um par novo. 

Ufa! Sou mãe! 
E assim como todas as outras aprendo a ser mãe a cada dia. 
Não sou a melhor, nem a pior. Afinal, nesse papel de ser mãe não existe competição. Apenas somos as melhores mães que nossos filhos poderiam ter. E ponto! 

Esse post era para ser publicado no Dia das Mães. Mas no domingo eu estava muito ocupada sendo mãe, por isso ele vem só agora... afinal, dia das mães é todo dia, não? 


Ufa! Como é bom ser mãe! 

Mãe e filhos fazendo o que mais gostam: sendo feliz! 











quarta-feira, 26 de novembro de 2014

ESPELHO: Enxerguei minha mãe em mim!

Texto meu publicado originalmente na coluna NO QUINTAL, do VILA MAMÍFERA. O link do artigo no Vila está aqui: http://vilamamifera.com/noquintal/por-adriana-ramos/


É impressionante como mudamos depois que nos tornamos mães. E esse assunto tem martelado na minha cabeça nos últimos dias. Essa semana especialmente vi minha mãe dentro de mim em vários momentos. E a vi com todos os seus defeitos, qualidades, inseguranças e certezas. Vi aquela mãe, que muitas vezes, tinha atitudes que eu descordava, que eu não aceitava, que eu muitas vezes não compreendia. 

Lembro-me muito bem que todas as vezes em que eu fazia algo que a desagradava, ela falava muito. Repetia, gritava, dava muita bronca, falava alto. Nada de agressão física. Nunca apanhei da minha velhinha. Mas a danada falava demais. Chegava a irritar. Quantas vezes eu já não lembrava mais do que tinha feito, mas lá estava ela falando, falando, falando. E ai de mim se caia na tentação de pedir para ela parar ou se dizia algo como “Tá bom. Já entendi”. Ela rapidamente retrucava com um “Não me manda ficar quieta! Eu falo o quanto quiser!”. E o blá blá blá começava novamente. 

Essa semana Rafa, meu caçula de 4 anos, me tirou do sério. Por um motivo bobo, um desentendimento dele com o irmão por uma bobagem precisei intermediá-los por que a “coisa” estava ficando séria demais. Eles estavam na sala, eu no quarto trabalhando. Pedi de longe para os dois pararem. Não deram bola. Minha mãe, que estava em casa naquele momento, tentou apaziguar, mas não resolveu. Ameacei ir pra sala. Continuaram. Fui. Mas fui num momento em que faltava uma gota pro copo transbordar. Cheguei irritada. Cuspindo fogo. Matheus, o mais velho de 8 anos, que conhece muito bem o limite da mãe, parou na hora. Mas Rafa não. Ele é insistente e não tem noção do perigo. Continuou debochando do irmão e começou a repetir o que eu falava com desdém. Peguei ele pelo braço, o coloquei num banco pra pensar e continuei falando, falando, falando como minha mãe, no passado. Chegou uma hora em que ele disse “blá blá blá”. Fiquei furiosa. Como assim, aquele pirralho de 4 anos está reclamando que eu estou falando demais? Falei mais ainda. Exatamente como minha mãe fazia e eu detestava. 

De repente, olhei pro Rafa e enxerguei uma menina gorduchinha, com duas trancinhas e que usava botas ortopédicas nos anos 80. Olhei no espelho e vi a dona Ivone, minha mãe, mais jovem, de algumas décadas atrás, inconformada com tudo o que estava acontecendo. “Mal criado. Respondão! O que você está pensando da vida?”, eu falava. Igualzinho ela fazia! 

A história minha com o Rafa terminou com chororô dele. Acabei o repreendendo pelas suas atitudes e, quando a ficha dele caiu, ele ficou mal e se desculpou pelo que tinha feito. Mas a história pra mim não terminou até agora. Essa explosão de sentimentos e agitação fez com que eu pensasse e repensasse a minha vida, a maternidade, o que quero e acredito para os meus filhos. Antes de ser mãe jurava pra mim mesma que seria completamente diferente dos meus pais. Reconhecia, claro, suas qualidades e suas boas intenções. Mas gostaria de ser mais paciente do que meu pai (ele era tolerância zero!). Queria saber escutar mais e julgar menos. A dar “bola” para os sentimentos dos meus filhos sem desprezá-los julgando ser uma bobagem qualquer, mesmo que pra mim aquilo pudesse ser uma bobagem de criança. Queria ter mais tempo para curti-los de verdade e de fato sem ter que empurrar com a barriga a maternidade no meio das zilhões de tarefas do dia a dia. Queria ser mais paciente. Menos explosiva. Mais cautelosa com as palavras. Menos irritadiça. Queria saber separar mais as situações e jamais descontar um descontentamento ou um problema pontual em quem não tem nada a ver com isso.

E não estou falando em culpa. Nesse caso, não rola culpa. Só uma constatação: o espelho que tive na infância reflete hoje nos meus atos. Não é sempre. Não é o tempo todo. Mas as vezes a mãe que eu tive, se mistura com a mãe que eu sou. E o Rafa? Ah, o Rafa é o meu espelho de infância, é o meu espelho de hoje… Enxergo minhas atitudes no meu pequeno diariamente. Se sou doce, ele é. Se sou brusca, ele é. Mas de tudo isso a lição: Rafa, sem sequer imaginar, consegue, em suas birras, mostrar quem fui, quem sou e quem quero ser.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

FILHOS - Ganhando asas!

Ele foi logo ali realizar sonho e volta já. Mas todas as vezes que ele vai o coração "de mãe" fica apertadinho. Falamos tanto em MATURIDADE, INDEPENDÊNCIA, CRESCIMENTO, mas quando chega a hora de soltar não é tão simples assim. Hoje é dia que ele fica longe o dia todo. Longe do pai, da mãe, da professora, dos amigos do dia a dia. Lá, é ele e ele. E como ele se comporta? O que vai fazer? O que vai comer? Só Deus e ele sabe! Aí é quando a gente entrega nas mãos do Pai e confia em tudo o que ensinou no dia a dia. E, com o coração apertado, torce para que ele tenha absorvido o que você ensinou. E confia! Porque no fundo você sabe o quão importante são esses momentos para a MATURIDADE, a INDEPENDÊNCIA, o CRESCIMENTO dele! Esses torneios de xadrez vão muito além do jogo em si. É o momento, claro, de aprender a lidar com vitórias e derrotas. Mas também do meu "passarinho" voar pra fora do ninho. E, voltar, claro, feliz pra casa com muitas histórias na bagagem! Vai Mat! Vai com tudo. Estamos te esperando de braços abertos! 

Mat a caminho da final de xadrez!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

COMPORTAMENTO - Porque menino deve ser feliz! Só isso!

Matheus fazendo pulseira de elástico! 
Porque menino também pode fazer pulseira de elástico. E usá-la depois, se quiser. Porque isso não é uma brincadeira só de meninas. 

Porque menino também pode usar uma camiseta cor de rosa, vermelha ou sei lá o que, por que simplesmente não existe "cor de menina" e "cor de menino".

Porque meninos e meninas podem brincar do que quiser juntos ou separados desde que seja uma brincadeira saudável e inofensiva. Não importa se é com boneca, com carrinhos ou com bola. 

Porque meninos podem (e devem) aprender desde cedo a demonstrar seus sentimentos e não ter vergonha de expô-los quando sentir vontade. 

Por que menino pode sim chorar e deve saber que homem "de verdade" (como se houvesse homem de mentira!) chora sim. Pobre do homem que não chora e aprisiona seus sentimentos. 

Porque menino pode ser gentil, educado, simpático, delicado e isso não é exclusividade de meninas. 

Porque menino pode sim ajudar nas tarefas de casa. E quando crescer pode sim ser um grande companheiro na hora de dividir os afazeres da casa. E, assim, poderão ensinar aos seus filhos no futuro que isso não é coisa de menina. 

Porque meninos não precisam ser grosseiros, brutamontes, agressivos. Aliás, o mundo já tem "brucutus" demais espalhados por ai. 

Porque os pais dos meninos poderiam ter menos medos com relação à sexualidade dos seus filhos e pensar mais em torná-los pessoas do bem. 

Porque meninos e meninas devem aprender desde cedo a espalhar amor, a ter respeito pelo próximo, a ser livre de pré-conceitos, a não julgar o outro pela diferença. 

Porque menino não precisa fazer somente "coisa de menino" para agradar o pai ou a mãe. Ele pode perfeitamente não gostar de jogar futebol, empinar pipa ou jogar videogame. E, nem por isso, deixa de ser menino. 

Porque menino deve ser livre e se sentir confortável para desabafar com seus pais, a trocar ideias, a pedir conselhos quando tiver vontade. 

Porque meninos e meninas, independente do sexo, devem ser felizes e espalhar felicidade, acima de qualquer coisa!   





Pulseiras prontas! 




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

VILA MAMÍFERA - Menos escola e mais família, por favor!


A seguir um texto meu que foi publicado hoje na sessão "No Quintal", do Vila Mamífera. Abaixo o texto e mais abaixo o link do Vila Mamífera. 


Era um dia como outro qualquer. Rafa, muito feliz, em sua aula de futebol. Na torcida, a mãe a a vó estavam lá para abrilhantar o pequeno craque. Eis que sai um gol… gol do Rafa! A (mini) torcida vibra! O jogador comemora olhando para nós. O clima era de festa e descontração. Fim de jogo. E o pequeno veio se despedir de nós antes de ir pra sala de aula. Eis que um “gigante” em forma de criança surge ao nosso lado… Com o dedo indicador apontado para o nariz do Rafa, cheio de marra, veio a ameaça: “Isso não vai se repetir, Rafael! Você não vai fazer outro gol em mim!”. O silêncio se instalou! Rafa arregalou os olhos e nada respondeu. Eu até tentei um diálogo: “Calma, fulano. Não fala assim. Jogo é assim mesmo. E você foi um bom goleiro. Defendeu muitas vezes…”, eu dizia. Mas foi em vão… o gigante ressurgiu… Olhou fixo nos meus olhos, deu as costas e seguiu seu caminho. Eu e minha mãe ficamos chocadas. O que era aquilo? Um garotinho de quatro anos! Repito, quatro anos ameaçando o coleguinha de sala por causa de uma partida de futebol. Guardei o episódio comigo, naquele momento.
Passada uma semana, Rafa não queria mais ir para escola. E logo ele, que pedia pra ir ao colégio até aos domingos! Tentamos descobrir o que estava acontecendo, mas ele se recusava a falar. Vez ou outra dava algum vestígio de que o tal menino não era seu amigo, que dizia coisas “feias”, que o excluía das brincadeiras e, pior, convencia outros a fazer o mesmo. Tive que levar a questão para o colégio e o retorno que tive era de que o tal aluno era do integral, que estava estressado, cansado por ficar o dia todo na escola e que acabava tendo algumas atitudes erradas no período da tarde. 
Essa história não é novidade aqui em casa. Quatro anos atrás, Matheus passou por uma situação muito parecida. Comecei a perceber que ele chegava em casa com marcas. Um dia era um arranhão nas costas. No outro uma marquinha roxa na perna. Marcas no braço, no rosto e nada de eu descobrir o que estava acontecendo. Matheus apenas dizia que não sabia como tinha feito aquilo. À principio, ok, criança se machuca leve até brincando. Mas as situações ficaram corriqueiras demais. Até que um belo dia veio a gota d´água: um dedo do amigo no olho dele lesionou sua córnea e Matheus ficou mais de 6 horas sem enxergar de um olho. E, somente aí, ele confessou o que vinha acontecendo… Não tinha falado antes por que, apesar de tudo, gostava do bendito. Lá estava eu no colégio para “entender” o que estava acontecendo. E a resposta? Exatamente a mesma que tive agora com o episódio do Rafa. “O fulaninho é do integral, está cansado de ficar na escola o dia todo e quando chega o período da tarde acaba ficando mais agressivo e tendo atitudes erradas”… e blá blá blá… 
Nunca gostei da ideia de colégio em período integral. Mas, claro, sei que muita gente opta por essa alternativa exatamente por não ter outra escolha. Por isso não critico quem realmente precisa que o filho fique no colégio o dia todo. Respeito! Mas convenhamos, criança precisa ser criança. Ela pode ser feliz dentro de um berçário ou colégio o dia todo? Claro que sim. Principalmente se ele oferece uma estrutura de espaço, atividades e profissionais para isso. Mas criança precisa também ter menos compromisso e mais liberdade para ser criança. Acordar sem o relógio tocando todos os dias por que está na hora de sair correndo. Ficar em casa com seus brinquedos, no seu cantinho, no aconchego do seu lar. Ficar até mais tarde de pijama por que pode sim não fazer nada por mais tempo… Tão gostoso ter um tempinho pra almoçar em família, ajudar a preparar os alimentos, participar das conversas, dar risada, ir na padaria a pé para buscar um pão quentinho pro café da tarde…
A correria do dia a dia está transformando crianças em mini-adultos. O moleque precisa entrar às 7h no colégio por que a mãe tem que atravessar a cidade para chegar no trabalho às 8h. E só consegue sair de lá a hora em que a mãe, muitas vezes cansada e estressada, conseguir chegar… E só Deus sabe que horas ela vai chegar, as vezes só depois que escurecer, por que o trânsito estava caótico. O pai, então, ele muitas vezes vê só no final de semana… Por que sai antes dele acordar e chega depois que ele já adormeceu. Que relação esse serzinho tem com a sua casa? Com a sua família?  Pra que ter tantos brinquedos se eles ficam separados o dia todo? Aquele quartinho que foi todo planejado nos mínimos detalhes só é, de fato, dele, na hora de dormir… por que ficaram longe o dia todo. O que estamos fazendo com nossas famílias? Esse é o caminho do progresso? Da ascensão profissional? Essa criança, que mal nasce e já está matriculada num berçário, quando chegar as 10 anos não aguenta mais ouvir falar de escola. E mal sabe ela, que ainda falta muito pela frente… Está cansada, estressada e precisando de terapia para conseguir compreender o que é incompreensível.
Nem todo mundo tem uma avó, uma tia ou uma babá de confiança que possa cuidar do filho por pelo menos uma parte do dia, eu sei. Como disse no início, não estou aqui para julgar ninguém, nem para apontar o dedo no nariz como fez o molequinho lá no futebol… Mas precisamos pelo menos pensar e repensar no que queremos de fato para nossas famílias. Para onde estamos caminhando. E sermos realmente responsáveis pelos nossos atos e pelos nossos filhos. Filhos crescem rápido demais. A vida passa rápido demais. Não adianta, no futuro, olhar para trás e se arrepender do que passou…





http://vilamamifera.com/noquintal/menos-escola-e-mais-familia-por-favor-por-adriana-ramos/



Agradecimento especial ao Vila Mamífera e à Elaine Miragaia pela oportunidade! 



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

MATERNIDADE - Quem disse que seria fácil?

Carta de uma tia para uma sobrinha que está prestes a ficar cara a cara com seu primeiro filho. 


Ninguém nunca te falou, mas filho cansa. Todo mundo insiste em dizer que a maternidade é cor de rosa, que a mulher vive um momento de plenitude, que ter um bebê nos braços é esplendoroso. E realmente é. Mas não é assim 24 horas por dia. Bebês choram e, alguns, choram muito. Bebês tem fome e precisam ser alimentados, muitas vezes a cada três, duas ou até de hora em hora. E a mãe tem que estar lá, firme e forte para alimentar sua cria. Por que ela o ama e quer vê-lo crescer e sabe da sua necessidade. Mas não me diga que ela tenha que fazer isso com sorriso nos lábios, penteada e cheirosa, como nos comerciais de margarina. Muitas vezes o dia passa e você se dá conta que sequer tirou o pijama. Escovar os dentes, pentear os cabelos, tomar um banho um pouco mais prolongado passam a ser desejados pela nova mãe, que nem sempre consegue fazê-los com a calma e naturalidade que realizava antes do bebê nascer. Nem sempre ou quase nunca, pra ser bem sincera. 

A amamentação é sublime e deve ser sim incentivada. Mas ninguém diz que os seus peitos vão rachar, que muitas vezes podem até sangrar, que você vai sentir uma dor do cão quando aquele bebezinho pegar de jeito no seu bico. Dói. Dói muito. Na primeira semana você pode ficar à beira do continuar ou desistir. Lágrimas chegaram a escorrer dos meus olhos por conta da dor. E uma sensação de fraqueza absurda tomou conta de mim. "Como assim? Por que estou sofrendo se todo mundo diz que amamentar é lindo? É prazeroso? Será que não sou capaz?". Passadas as primeiras semanas você realmente vai descobrir a tal plenitude do amamentar. Mas, lembre-se, terá que remar muito forte para superar essa maré brava. 

A maioria dos bebês tem cólicas. E você sabia, que geralmente, elas surgem a noite e na madrugada? É... depois que sua mãe, sua vó, sua melhor amiga foram embora. E nessa hora é você e ele (e o pai, claro, que deve ser presente nessa hora). E aí você tenta botar em prática todas as receitas que ouviu durante os nove meses de gravidez e parece que nada funciona. Seu corpo está cansado, você passou o dia trocando fraldas, não dormiu direito na noite anterior, quando tentou esticar as pernas por alguns minutos, ele chorou de fome. Você não descansou e agora, bem quando o que mais você queria era se entregar nos braços de Morfeu, ter um sono gostoso e tranquilo, ele tem dor. E é só você que pode ajudá-lo. E nessa hora você lembra que é filha e que o que mais queria era o colo da sua mãe nesse momento... Quando o Matheus, meu primeiro filho tinha poucos dias de vida, recebi a visita de uma amiga que disse: "Passa rápido. A cólica vai até os 4 meses!". Fiquei paralisada. Se eu estava morta na segunda semana do pós parto, como assim teria que esperar mais 3 meses pela frente? Parecia o fim! Mas só parecia... Realmente a cólica passou e hoje nem lembro quantas crises foram, como foi não dormir direito, como descobrimos qual a melhor forma de acalmá-lo e deixá-lo mais quentinho e confortável. Seguro e sem dor. Só sei que descobrimos e tudo passou. 

E quando você pensa que está livre da temida cólica, surgem os dentes e com eles as noites sem dormir, os choros, as angustias novamente. E as febres, o primeiro resfriado, as alergias e intolerâncias disso e daquilo. Ter um filho é como estar no mar, remando contra a maré. Mar bravo. Ondas fortes. Que tentam te derrubar a todo instante. "Meu Deus, quando isso vai acabar?" Digo: não vai! Filho é pra vida toda! E as fases mudam, as angustias e preocupações também. As necessidades são outras, mas você não nasceu mãe, lembra? Portanto terá que aprender ao longo da vida a lidar com cada situação. É como um jogo... um passo pra frente, dois pra trás, bônus de experiência, prêmio por alcançar o objetivo e assim tocamos o barco. E digo... o saldo é positivo, mesmo diante de tantos altos e baixos! Acompanhar o seu crescimento, ver o primeiro sorriso, presenciar o seu despertar depois de um sono gostoso é hipnotizante! É sua cria! É seu filhote! É parte de você! É seu coração batendo fora do seu corpo! É apaixonante! 

A maternidade é mágica. E a escola dela é a vida. Triste de quem não se arrisca nessa aventura e não se joga nesse mar para navegar. A maternidade é amor, é descobertas, é aprendizado, é sentir-se forte e fraco em questão de segundos. É ter dúvidas, é ter certezas, é aprender a dar um passo de cada vez. É acreditar em você. É descobrir-se. É dar mais valor para o seu feeling. É reconhecer-se em outro ser. 

A maternidade é difícil, mas é recompensadora! Não pense que será fácil, pois não será. E a ideia não é assustá-la logo agora que está estasiada aguardando a chegada do primeiro filho. É trazê-la pro chão, tirá-la das nuvens, para que você curta com plenitude cada fase, que é sim passageira. 





Eu e Matheus, com 5 meses

sábado, 9 de agosto de 2014

TIQUE NERVOSO - E, num piscar de olhos, ele estava com mania de piscar!

De repente, ele começou a piscar... E tudo começou num piscar de olhos! Ai que aflição de ver aqueles olhinhos piscando sem parar... E, o que eu temia foi confirmado: meu filho estava com tique nervoso! 

Segundo a mãe e psicóloga, Evelin Saffiotti, o tique costuma ser sintoma de ansiedade. "Algo que a criança não está conseguindo lidar e como não verbaliza (muitas vezes por que nem sabe o que é) o corpo dá o sinal", explica. Segundo ela, o tique pode ser situacional, as vezes por que irá acontecer algo importante e ele está reagindo. "Nesse caso, o tique passa sozinho", diz. E pode ser também reflexo de algo que o acompanha a mais tempo e, nesse caso, precisa de uma avaliação psicológica mais cuidadosa. 

Piscar os olhos, roer as unhas, balançar os pés repetidamente são alguns sinais típicos de uma criança que está insegura, ansiosa ou querendo chamar a atenção por algum motivo. Elas desenvolvem o tique para descarregar uma emoção ou angústia, que estava guardada. De uma forma geral, essas manias surgem logo após um acontecimento importante (como nascimento de um irmãozinho, a morte de um parente próximo, separação dos pais) ou quando algo muito esperado está prestes a acontecer (uma viagem muito desejada, o retorno às aulas, por exemplo).

Na maioria dos casos, segundo especialistas, basta um pouquinho de paciência para que a criança abandone o tique. E, à mamãe aqui, resta não olhar muito (já que a mania me dá muita aflição) e dar tempo ao tempo... E, torcer pro tique ser bem passageiro... 

E quem não lembra da música do Kid Vinil... "Isso me dá tic tic nervoso... tic tic nervoso... tic tic nervoso..."?



Piscar demais agora só pra tirar a foto! 


PS: Esperei para publicar esse post para conseguir dar um retorno sobre o tempo que durou o tique do Matheus... e, graças à Deus, foi passageiro. Uns quinze dias, mais ou menos. E, provavelmente a causa tenha sido a ansiedade com a viagem das férias. Um belo dia, na Bahia, ele mesmo virou pra mim e disse: "Mãe, você viu que eu parei de piscar?!" Sim, filho, não só vi como fiquei muito, muito feliz! O curioso foi ele mesmo ter percebido e ter noção do tique, que era incontrolável. Ufa, mais uma passagem pra ficar registrada nas nossas histórias!




Agradecimento especial: Evelin Saffiotti - psicóloga, mamãe de Anna e Eduardo. 



quarta-feira, 23 de julho de 2014

De repente encontrei uma Dona Otávia dentro de mim!


De repente me senti a Dona Otávia. Dona Otávia era uma senhora que morava na minha rua, no final dos anos 70, início dos 80, que não pensava duas vezes quando uma bola caia no seu quintal: furava sem dó! Dona Otávia era temida pelos moleques que jogavam futebol na rua. Ciumenta com seu jardim e dona de uma das roseiras mais lindas do quarteirão, ela acreditava que a bola que caia muro adentro de sua casa podia estragar suas plantas. Avisava, botava medo nos meninos e, quando a redonda teimava em cair no seu quintal, Dona Otávia entrava em ação. Sem pensar, sem pestanejar. Era o fim daquela pelota. Sem dó, nem piedade.  

Ontem a noite estávamos em casa todos reunidos para construir a maquete que o Rafa precisa levar para a escola no retorno das férias. É seu trabalho de férias! Não era o melhor momento. Eu estava cansada, havia pedido pro marido adiantar o processo durante o dia (mas isso não aconteceu!), estava com a cabeça nas minhas pautas que eu ainda tinha que produzir. Mas, resolvi me dedicar ao trabalho do pequeno naquele momento. O Rafa, o maior responsável por aquilo tudo, estava disperso. Vez ou outra resolvia passar cola no chão da sala, em seguida queria picar o papel que seria usado na maquete, trazia carrinhos pro meio do trabalho. E eu chamava a sua atenção. "Assim não, Rafa", "Para com isso, Rafa!", "Vem fazer seu trabalho!". E nada... ele não estava a fim... queria brincar... não era o momento certo. Mas, e quando é o melhor momento se eu não estou de férias e não tenho o dia todo para focar no trabalho de escola? Tinha que aproveitar o tempo que restava... e aquele era o momento. 

Tudo estava caminhando bem e eu até que estava conseguindo contornar a falta de atenção do Rafa até que ele aparece com uma espada de bexiga, que ganhou em uma festa  no domingo. Rafa começou a circular com a espada no meio do trabalho. Quase caiu dentro da o caixa, onde a maquete estava sendo construída. Colocava a espada no rosto do irmão. No nariz do pai, Na orelha da mãe. O sangue foi subindo. A paciência foi esgotando. E, depois de pedir várias, várias vezes para ele parar, não resisti: estourei o balão! Sem pensar, sem pestanejar. Igual a Dona Otávia!  

Todo mundo parou e ficou olhando pra minha cara! Sim, eu era a doida, naquele momento, reconheço. Rafa, que minutos antes estava irritando todo mundo e não estava nem aí pras nossas chamadas, congelou. Parecia uma estátua. De repente começou a pegar os pedaços do balão, que ficaram espalhados no chão. E, segundos depois, caiu num choro sentiiiiiiido e prolongado. "Quero minha espada de volta!", dizia inconsolável tentando juntar os pedaços. 

Na hora lembrei da Dona Otávia e pensei. "Nossa, acho que era assim que ela furava as bolas. Avisava. Pedia. Orientava. Mas como não obedeciam, ela era tomada por um ímpeto, uma raiva, uma ação sem pensar (ou não!) para resolver de uma vez aquilo tudo!". De repente eu me enxerguei naquela velhinha que eu tanto temia. 

Claro que não fiquei feliz com o ocorrido. Confesso que até tive um medinho de mim mesma nessa hora. "Meu Deus, o que mais eu seria capaz de fazer sem pensar? Bater? Machucar? Não, não... melhor nem pensar nisso agora...". Mas disso tudo fica uma reflexão. As crianças nos testam o tempo todo. Algumas mais, outras menos. Rafa, aqui em casa, é o mais. Ele vai até o fim, não tem medo do que vem pela frente. É daquele tipo que quer ser o último a falar, mesmo que recebe uma ameça "Se você falar isso de novo, vai ser punido por isso, vai ficar de castigo!". Ah, não tenha dúvidas, ele fala e, depois, chora arrependido. 

No fundo acho que até o Rafa é um pouquinho Dona Otávia. Faz sem pensar. Não obedece. Não escuta, muitas vezes, a orientação que é dada. E, depois se arrepende. Dessa vez, o preço foi o balão... a espadinha de balão... que pagou o pato e foi pro beleléu... 





Na festa do domingo, Rafa e o amigo brincando com
a tal espadinha, que foi pro beleléu ontem a noite!
 (detalhe: Rafa é a perninha que aparece já atrás da
parede... foi mais rápido que a mãe pra tirar a foto)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Tempo. Como você é cruel comigo!

São 6h da manhã. Acordo, sem despertador, assustada. Pulo da cama e corro pra cozinha. A sensação era de estar atrasada e, mesmo com o corpo moído pela maratona de ontem, eu tinha que enfrentar o dia. Uma encomenda de mini trufas me esperava. Uma hora depois, escuto o Matheus me chamar, ainda na cama. Quando chego lá perto, com as mãos sujas de massa de trufa, veio o pedido. "Mãe, deita aqui comigo?". Eu não podia. Estava no meio da receita, que iria desandar se eu não continuasse o processo. O pedido foi recusado e explicado. E ele, meio emburrado, adormeceu novamente. Mais meia hora, acorda o Rafa chorando e pedindo pela mãe. Deitei ao lado dele, ele estava meio assustado, provavelmente tinha tido algum pesadelo. Tentei acalmá-lo e, minutos depois, pegou no sono. Eu, rapidamente, corri pra cozinha e continuei meu trabalho. 

Mas a cabeça não estava nas trufas. Estava nos e-mails que eu tinha que enviar e no texto que eu tinha que terminar pra pauta da próxima semana. Eram 8 da manhã e eu já estava angustiada com tantos afazeres (e muitos já feitos) do dia! Torcendo pros meninos dormir até mais tarde, pro meu dia render mais. Queria fazer o máximo possível antes deles acordarem, para conseguir dar um pouco de atenção aos pequenos depois. Mas eram tantos afazeres... E eu pensando na casa que tinha pra ajeitar, nos doces que tinha que entregar, nos textos a serem feitos e nos filhos pra cuidar. E, claro, que a conclusão foi: O que estou fazendo da minha vida? Estou vivendo ou apenas sobrevivendo? E, pior, como ficarão os meninos sendo criados nessa rotina de corre-corre e vendo a mãe enlouquecer para cumprir prazos e fazendo duas, três, quatro coisas ao mesmo tempo (em tempo recorde!)? 

Fiquei mal. Muito mal. Quando decidi sair do jornalismo diário foi exatamente para ter mais qualidade de vida e ser mais presente na vida dos meus filhos. A decisão foi tomada quando eu ainda estava grávida do Rafael. Eu ficava angustiada de ter horário pra entrar na redação e nunca saber qual horário voltaria pra casa. Plantões pra mim viraram um sacrifício. Quantas e quantas vezes o Matheus, com apenas dois anos, dormiu numa poltrona de redação ao meu lado, num domingo a tarde, depois de tanto chorar em casa que queria a mãe. O que antes fazia parte da minha vida, virou um grande martírio. Queria mudar. Não estava feliz. E foi aí que decidi que poderia trabalhar, ser mãe e ser feliz de outra maneira. Passei a trabalhar em casa, fazer freelas e os doces voltaram à minha rotina como uma segunda fonte de renda. Nunca abandonei o jornalismo (minha paixão), mas agora conseguia ter o tempo que tanto queria para estar presente na vida dos meus filhos. 

Mas a correria do dia a dia começou a me alucinar. Eu tinha o tempo livre para estar com eles, mas aos poucos foram surgindo tantas obrigações em nossa rotina, que esse tempo era preenchido com horários e regras duras. Dia da fono, dia da psicóloga, dia da natação, dia do futebol, consulta na pediatra, retorno na otorrino. E assim, nossas  agendas estavam quase sempre preenchidas. E, nessa agenda repleta de compromissos ainda precisava encontrar tempo pros doces, pros textos, pras entrevistas. E nessas horas a paciência fica mais curta, os conflitos acontecem, os atritos surgem... 

Muitas vezes ouvi do Matheus "Tô cansado! Para um pouco". E isso me angustiava. Aos poucos, os afazeres diminuíram... as consultas na pediatra ficaram mais espaçadas, a fono deu alta, a psicóloga resolveu aumentar o intervalo entre as sessões, enfim, o tão sonhado tempo começou a aparecer em nossas vidas como uma luz no fim do túnel... o tempo ocioso, aquele que podemos fazer nada e ao mesmo tempo curtir, se curtir, se conhecer, trocar aprendizados... Mas sou ansiosa, muitas vezes me pego aceitando mais compromissos e trabalhos do que eu realmente posso fazer. Me desdobro, não durmo, trabalho de madrugada, enquanto eles dormem. Faço o que posso para estar livre ou pelo menos ter um tempinho do dia destinado à eles. Nem sempre dá... e escuto coisas do tipo. "Você não sai desse computador!" ou "Vem assistir um filme com a gente no sofá!". Eu explico, conversamos e eles, na medida do possível compreendem. 

Mas esse texto começou por que eu gostaria de ter podido deitar ao lado dele hoje às 7h da manhã quando ele me chamou... Fazer um chamego, jogar conversa fora, vê-lo adormecer novamente. As vezes dá, claro. Mas nem sempre... É a vida, eu sei. Trabalhar é preciso. Mas se eu optei por ter mais tempo exatamente para poder viver e não apenas sobreviver... É nessas horas que o conflito aparece e a angustia surge. E que vem a certeza... TEMPO queria ter mais de você em minha vida! 



Tempo pra viver a vida e "saborear" cada momento
especial, como esse, da foto!

E você, já pensou como está lidando com seu tempo? Deixe seu depoimento, aqui no blog (em comentários). 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

FILHO - Sim, tenho dois filhos do mesmo sexo. E daí?

Eu já era mãe de um menino de três anos, quando descobri que estava grávida novamente. Assim que a novidade foi anunciada, começaram os comentários. "Ah, que legal, tomara que agora venha a menina!" ou então "Poxa vida, tomara que você não tenha puxado sua mãe, que teve três meninos!" . O engraçado é que ninguém sequer perguntava qual era o meu desejo, a minha vontade. E, pior ainda, era como se ter outro menino fosse um castigo, uma decepção. Se os tais comentários já eram desagradáveis no início, eles se superaram depois que o sexo do baby foi anunciado: "Outro menino? Paciência, o importante é que venha com saúde!". Aff. Como assim? Já foi "castigada", agora que pelo menos a criança tenha saúde? Meu Deus, quantas bobagens essa barriga... ops, esses ouvidos escutaram ao longo dos nove meses. 


Matheus e Rafael: amigos
acima de tudo!
É impressionante como as pessoas não tem noção do que falam. Primeiro, pela indelicadeza. Ninguém escolhe o sexo do filho numa prateleira de supermercado. A mãe pode até ter uma preferência, mas isso não significa que ela será "atendida". E no meu caso eu queria muito que o segundo filho fosse um menino e explico por que. Sou a única filha entre três irmãos homens. Cresci vendo a cumplicidade dos três, a união, as disputas, as brigas e os muitos momentos de alegria e afinidades. Sempre quis ter uma irmã! Mas como caçula, meu desejo não pode ser atendido! A fábrica tinha sido fechada, como dizia minha mãe! Quando fiquei grávida pela segunda vez, logo no início, pensei "Tomara que o Matheus tenha um irmão!". Naquele momento o desejo era dele ter um companheiro, um amigo pra todas as horas, um cúmplice nos momentos de alegria e tristeza. Claro, que uma irmã poderia ser parceira também. Mas acreditava que essa proximidade seria maior entre irmãos de mesmo sexo. E ficava incomodada com tanta expectativa em torno de uma menina. E, pior, ficava chateada com a decepção das pessoas com a possibilidade e, depois a confirmação, de que era outro menino. 

Hoje, meu mundo é azul. Confesso que não me imagino brincando de boneca. Meu cotidiano é repleto de carrinhos, partidas de futebol, latinhas que imitam sons de "pum". É... meninos muitas vezes são nojentos... sem pudor... mas são livres, dão risadas de coisas bobas, se divertem com pouco ou quase nada. Não sinto um vazio (pelo menos por enquanto!) por não ter uma menina em minha vida. E fico chateada quando sinto essa reação das pessoas diante de situações como essa. Eu mesma já presenciei dezenas de pessoas dando "bola fora" quando sabem que o uma grávida terá "de novo" outro menino, ou outra menina. Como se a felicidade fosse completa somente com um casalzinho dentro de casa. 

E como não estou sozinha nesse barco, resolvi botar o assunto "na roda". Abaixo estão os depoimentos de outras mães, que assim como eu, têm filhos de mesmo sexo e estão muito de bem com a vida. 


A pedagoga Lígia Carvalho sentiu na pele isso tudo. Mãe de três meninos, ela ouviu muitos
Pedro, João e Miguel:
sempre juntos!
comentários e viu muita expectativa em torno da chegada de uma possível menininha em casa.
"Ficava sem graça quando as pessoas criavam aquela esperança de que um dia eu teria uma menina, mas pra mim o que importava é que meu filho viesse com saúde e não o sexo do bebê. As pessoas diziam tomara que venha uma menina dessa vez e eu respondia Pra que? Vai vir o que Ele quiser", diz. Os seus três meninos tem uma diferença de quase cinco anos cada um: Pedro Henrique, 10, João Vitor, 4, e Miguel, 4 meses. "Quando os mais velhos souberam que ganhariam mais um irmão foi um momento de muita alegria. Assim daria pra jogar no vídeo-game de três!. Essa foi a resposta deles", diverte-se lembrando. E conclui: "Eles estão sempre juntos no mesmo grupo, seja jogando bola, seja trocando figurinhas ou batendo papo. Acredito que se eles fossem de sexo diferente não teriam tantas afinidades como tem hoje", diz. 








Camila e Bruna: caçula é fã da
irmã mais velha!
A pedagoga Fátima Messias, mãe de Camila, 12, e Bruna, 7, revela: "Confesso que secretamente eu queria outra menina! Então quando soube do resultado, fiquei muito feliz", relembra. "As pessoas começaram a trabalhar com a ideia de eu ter um menino. Analisavam o formato da minha barriga, diziam que meu rosto estava diferente e coisas do gênero. Quando eu dei a notícia, parece que elas queriam me consolar, dizendo que assim era melhor, por que eu já estava acostumada a cuidar de menina, que seria mais fácil decorar o quarto e blá blá blá", conta. A diferença de idade hoje não favorece muito a interação. "Eu tenho que ficar lembrando a
Camila, que a irmã tem apenas 7 anos e por isso é infantil mesmo!", diz. Mas há admiração entre as duas. "A Bruna admira mais a irmã e tudo o que acontece corre pra contar. Quando eu percebo que a Camila não ouve com muita atenção, trato logo de preparar o ambiente. Quando não dá tempo fico atrás fazendo gesto pra Camila fazer cara de admiração. E acho que ela até se acostumou com isso, por que agora sempre exclama quando a pequena conta as coisas", ri. "Mas a Camila também admira coisas na Bruna, coisas que ela fala, faz e até mesmo aspectos físicos da irmã", conclui. 



A dona de casa Mariléia Ockner Rezende também reina absoluta em sua casa, rodeada de meninos. Mãe de Felipe, 9 anos, e Arthur, 4 anos, ela conta o quanto o segundo filho foi desejado pelo irmão mais velho. "Felipe já tinha até escolhido o nome do irmãozinho. Detalhe, só tinha escolhido nome para menino! E vivia planejando o momento que o irmão iria buscá-lo na escola com a mãe. Antes mesmo do irmão nascer", relembra. "Não sei se era decepção, mas todos os parentes próximos perguntavam e ainda perguntam, se não
Felipe e Arthur: admiração de um pelo outro
vamos tentar uma menina!"
, ri. E a resposta é: "Gostaria, mas não está nos planos. Mas se acontecer a torcida por mais um menino aqui é grande e já tem até nome escolhido faz tempo. Mas, claro, se for uma menina será amada do mesmo jeito", conclui. Mas o que mais encanta é a admiração que um tem pelo outro. "Arthur admira o talento do irmão mais velho para desenhar e pintar. Felipe acha o máximo a facilidade com que o irmãozinho tem de se aproximar das outras crianças. No final, estão sempre juntos e o mais velho sai feliz dizendo que os amiguinhos do irmão são muito legais", diz. 







Giovanna (frente) e Giulianna: amigas e companheiras
A pedagoga Márcia Wieck relembra que ficou tão feliz ao saber que a filha mais velha teria uma companheira, que nem se importou com a expectativa dos outros. "Eu queria tanto que minha filha nascesse sadia e perfeita, que o que menos importava naquele momento era se fosse formar um casal ou a opinião dos outros", conta. O mesmo sexo e a diferença de idade de apenas um ano e dez meses favoreceu e muito a afinidade entre Giovanna, 17, e Giulianna, 15 anos. "Elas brigam, como todos os irmãos, mas são muito amigas e confidentes", conta. Outra característica comum entre filhos de mesmo sexo é a 'sociedade' em roupas e brinquedos. "A Giulianna sempre usou roupas que foram da Giovanna e compartilhavam os mesmos brinquedos. Hoje, que são moças, cada uma tem as suas coisas, mas vez ou outra estão trocando e emprestando roupas e acessórios", conta. "Acredito que as duas tem a mesma porcentagem de admiração uma pela outra. Na maioria das vezes estão juntas. Mas cada uma com seu estilo e personalidade", finaliza. 




Adélia Ribeiro, proprietária do Atelier Chá de Boneca, conhece bem o universo azul. Única
Matteo e Enrico: o mais velho pedia para a mãe lhe
dar um irmão!
mulher entre dois irmãos homens, é também mãe de dois moleques - Matteo, 7, e Enrico, 4 anos. "Fiquei muito feliz e tranquila quando soube que esperava mais uma menino, pois o mais velho havia pedido um irmão para brincar", lembra. "Não senti decepção entre as pessoas, mas até hoje, vez ou outra, alguém me pergunta se vou tentar a menina", diverte-se e afirma que a "fábrica fechou".  A amizade e cumplicidade entre eles é o mais importante. "Como toda relação de irmãos, conflitos existem, mas também existe carinho e cumplicidade. Quando eu dou uma bronca em um, o outro logo vem em defesa do irmão", diz. "O mais velho é como um espelho pro caçula. O menor tende a gostar de tudo o que o maior gosta e vive pedindo ajuda pro irmãozão, como por exemplo, passar de fase no jogo de vídeo-game. Eles brincam muito juntos quando estão em casa", conclui. 






As duas Ana´s: afinidade, ciúme e muito
 carinho entre as irmãs!
Mãe de duas meninas, a vendedora Karen Ramiro, diz que ficou muito feliz quando soube que esperava outra menina. "Sentia uma certa decepção em algumas pessoas ao saber a notícia, mas o mais curioso é que todos falavam o mesmo - 'Depois você tenta o menino'! Como se fosse um consolo!", relembra. Apesar da diferença de idade de seis anos, o amor e a amizade entre as duas é visível. "Acho que por ser do mesmo sexo a afinidade é maior. Mas o ciúmes também aumenta, viu...", conta a mãe de Ana Beatriz, 7, e Ana Carolina, 1 aninho. Segundo ela, a personalidade das duas é bem distinta. A primogênita demonstra mais carinho com a caçula, mas a pequena não vive sem a irmã por perto. "Cada uma tem uma personalidade, um jeitinho", diz. E será que virá um menino nessa família? "A minha intenção não é ter mais filhos, porém meu marido quer sim tentar o menino", diz. Resta saber se virá um menino ou mais uma princesa pra esse castelo. 





Agradecimento especial às mamães que participaram dessa matéria: Ligia, Fátima, Márcia, Leia, Adélia e Karen






terça-feira, 24 de junho de 2014

PACIÊNCIA - cadê você minha amiga?


A sensação é de correr contra o relógio. De não me sentir produtiva. De achar que estou deixando afazeres pelo caminho. Mesmo que a cobrança seja interna. 

A sensação é de tristeza. De não estar dando conta do recado. De não estar sendo uma boa mãe em todas as horas. De não atender as necessidades dos pequenos como eu deveria (ou gostaria). Mesmo sabendo que sou humana e não uma máquina de cuidar e agradar 24h por dia.  

A sensação é de cansaço. Vontade de ficar quieitinha, sozinha no meu canto, mesmo que seja por algumas horas. Vontade de pensar em mim. De não ter tantas preocupações, atribuições e obrigações pela frente. 

A sensação é de angústia. Por não ter a paciência que eu gostaria, por perder o controle, muitas vezes, por coisas tão pequenas e banais. Por não conseguir achar graça de uma arte boba feita bem debaixo do meu nariz. Ahhh como eu queria ter a paciência da minha mãe... que como mãe, muitas vezes perdia o controle, mas como vó acha graça até das coisas mais sem graça que os netos fazem...  A experiência e os anos de vida trouxeram pra ela uma alegria de viver cada minuto como se fosse o último. E com isso nos passa leveza e felicidade em cada gesto. 

A sensação é de desabafo. Desabafo de uma mãe que não acredita em "super-mães" e nem tem vontade de ser uma heroína. Mas que adoraria ter uma dose extra de paciência para tocar o barco no dia a dia. Admiro as pessoas hiper otimistas, que enfrentam dificuldades com sorriso no rosto, que levam a vida com muita leveza. Admiro. E espero, sinceramente, um dia chegar lá... afinal a razão da minha vida é minha família. O amor está presente. Só falta a "tal" paciência... 




quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mãe também cansa!

Tem dias que são mais dificeis do que os outros. As vezes por que você está mais cansada. Outras por que está com menos paciência. Mas o fato é que algumas horas atrás estava dificil conciliar o choro constante do Rafa querendo fazer algo que não podia com a manha enjoada do Matheus só por que queria fugir do jantar.
 
Ahhhhhhhh... Deu vontade de gritar. Em vez disso, resolvi dar um banho no Matheus, que tinha acabado de voltar da escola. Resultado: o Rafa entrou debaixo do chuveiro também! E molhou roupa. E molhou cabelo. E molhou o banheiro todo, inclusive fora do box, com o chuveirinho. Aí contei até 10 (por que eu já estava nervosa, lembra?) e pensei: "Talvez eles acalmem com o banho!". Mas me enganei. Depois da farra o Rafa chorou mais... agora por que não queria sair do banho. E o Matheus, vendo o irmão chorando, queria chamar mais atenção ainda.

Ahhhhhhh... de novo. Deu vontade gritar... de novo. Deu vontade de chorar também. Deu vontade de fugir. Mas fugir? Pra onde? Não vivo sem eles! Não quero ficar longe deles. Oh céus... mãe é um bicho estranho mesmo... bem que já tinham me falado isso antes...

Agora, os dois estão dormindo. Lindos. Sem choro. Sem manha. Sonhando e descansando. Pra amanhã, ah amanhã... Será outro dia. Espero que mais calmo que hoje... mais tranquilo... menos choro... menos manha. Mas isso só amanhã mesmo pra saber como será...

terça-feira, 31 de maio de 2011

FILHOS - A difícil arte de educar

Hoje não estou com o astral muito alto. Estava agora pouco escrevendo um pequeno texto para o encerramento da retro dos meninos e pensando no quanto é, muitas vezes, difícil educar. Acho que nunca tinha parado para pensar nisso. Cuidar é muito mais fácil. Com um pouco de habilidade e muita boa vontade você cuida perfeitamente de um serzinho. Mas educar é mais complicado. 

Matheus está prestes a completar cinco anos.  Hoje ele tem anseios, aflições, dúvidas, questionamentos que não tinha até um tempo atrás. Ele traz "problemas" para casa, que muitas vezes não são fáceis de ser resolvidos. Principalmente quando se trata de questões ligadas a relacionamentos com amigos, dúvidas sobre sexualidade, "por quês" infinitos que brotam na cabecinha dele. Poxa vida... Um dia, no início da carreira, uma colega de trabalho me disse que para fechar uma pauta de jornalismo diário "matamos um leão por dia". Concordei e concordo até hoje. Mas trazendo o profissional para o pessoal, ando achando que para responder às dúvidas do meu gigante preciso também "matar um leão por dia".

Quem pensa que ser mãe é fácil... nunca foi mãe... Até por que antes de ser mãe sou humana e, como todos, não tenho resposta pronta para tudo... 

Difícillllllllllllllllllllllllllllll...